sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Na torcida para as chatas


Duas estórias que acompanham os acontecimentos em torno de duas garotas chatas. Mas muito chatas. Linhas que fazem você pensar: se eu conhecesse uma pessoa assim, com certeza, não seria amiga dela. Ainda assim, você se vê torcendo para elas.

Reparação, de Ian Mcewan e Um Domingo para Sempre, Japrisot Sebastien. No primeiro, Briony nos conta sua estória, com palavras que parecem implorar por nossa compaixão. No segundo, seguimos Mathilde, em sua busca pelo noivo que não voltou da guerra, por seus caminhos teimosos e mimados.

A única coisa que nos impede de fechar os livros e nunca mais pensar nessas chatas é a única coisa que poderia salvá-las: uma excelente estória! E os autores conseguiram isso. Elas são chatas, você sente vontade de esbofeteá-las, mas se agarra às páginas. “Se agüentar chatas é o preço p’ra conhecer essa estória, eu agüento”. E é isso.

Sem coincidência alguma, os dois livros deram origem a dois ótimos filmes: Desejo e Reparação de Joe Wright, e Eterno Amor de Jean-Pierre Jeunet.

Wright conseguiu fazer Briony ser uma peça numa obra completa: estória, imagem, som,... Jeunet conseguiu, mais uma vez, trazer uma personagem que tem (e nos traz) fé na vida. Não há sonhos em verde e vermelho, como em Amélie, mas há o otimismo de criança.

Se até as chatas têm vez nessas estórias... quero uma estória dessa.

Um comentário:

John Fromage disse...

Hum, que bom que animou mais para escrever aqui! :-)

Acho que posso até dizer, com alguma segurança, que são duas das melhores adaptações livro-cinema que já vi; Não só houve preocupação com ambientar "corretamente" essas estórias na tela como a atuação também é fantástica.

Mas... Mathilde é mesmo "garota", ou foi só força de expressão? :p Eu realmente não lembro a idade que ela tem...