Dois homens se conhecem num hospital onde fazem tratamento contra câncer. Um é o dono do hospital, Edward Cole: aquele tipo de pessoa que tem (ou, pelo menos, pode ter) tudo aquilo o que se pode comprar nessa vida; mas, em compensação, não tem ninguém. O outro, Carter Chambers: um homem que teve que abandonar seu sonho de estudar e aceitar o primeiro trabalho que encontrou p’ra poder sustentar sua mulher, que ficou grávida antes de terem, sequer, planejado uma vida juntos.
Ao serem avisados que não teriam mais do que alguns meses de vida, os dois decidem ir atrás do que não tiveram/viveram. Fazem uma lista com o mínimo a ser alcançado e partem juntos nessa busca.
Uma lista com as coisas que gostariam de fazer antes de morrer. Pois é, até agora nada de original. Não fossem Jack Nicholson e Morgan Freeman interpretando esses papéis previsíveis nesse enredo comum, o filme seria apenas mais um sobre o mesmo de sempre. As atuações valem a uma hora e meia diante da tela.
Mas, ainda assim, algo me incomoda: a personagem rica. De onde vem essa necessidade de se ter uma personagem milionária que pode comprar tudo e arcar com todas as despesas das últimas vontades de uma pessoa?
A riqueza é muito relevante para a personagem: a arrogância; a postura de quem tenta parecer auto-suficiente; a solidão;... A riqueza é central, inclusive, para o próprio desenrolar da estória: sem ela, como viajar pelo mundo?; como dirigir carros caros?;... E é isso que me deixa curiosa: tirando-se o dinheiro de uma personagem, perder-se o roteiro?
Se, ao final dessas estórias, ficamos com a certeza de que o dinheiro não é o que importa na vida, porque ele sempre ganha papel decisivo nos enredos? Forçando um pouco, pode-se levar como lição: “para morrer sem arrependimentos, fique muito rico ou tenha um amigo milionário”.
Mas o filme tenta passar exatamente o contrário.
Essa estória é dessas simples que trazem uma reflexão universal: o que você quer conquistar antes de morrer: amor, fortuna, amizades, fama, uma família, sucesso profissional? No entanto, p’ra mim, a simplicidade fica pelo caminho no decorrer da narração.
O universal perde espaço para o restrito. A morte – que acontece a todos – leva a uma análise da vida – bem que todos têm (ou devem ter). Mas a busca pelo máximo que ela pode oferecer segue direções que não passam pelos caminhos de todos. E eu quero isso: uma viagem pela vida que não seja possível somente com o uso de passaportes.
